Lobo Leite se motiva para atrair visitante

14, FEV de 2017


Fruto da atividade dos primeiros exploradores de ouro no Brasil (sec. 17 e 18), Lobo Leite tornou-se um distrito charmoso, pitoresco e lindo. A afirmação é do site especializado em turismo Conheça Minas, que o apontou como um dos oito mais atraentes do estado, em publicação de 28 de janeiro. Os pouco mais de 1 mil habitantes já se orgulhavam do Inconfidente Cônego Luiz Vieira, da tradicional família portuguesa Lobo Leite Pereira que ali se fixou, do segundo mais importante conjunto arquitetônico da cidade segundo especialistas. E agora começam a se articular para acolher melhor os turistas.

O nome do distrito é uma homenagem feita, em 1926, ao chefe de prolongamento da então Estrada de Ferro Dom Pedro II, engenheiro Francisco Lobo Leite Pereira.

A Igreja de N. Sra. da Soledade, tombada pelo Instituto Estadual do patrimônio Histórico e Artístico (Iepha), possui características do início da primeira metade do século 18, contendo na nave o púlpito em estilo Rorocó. A imagem da padroeira é única na região. A restauração ocorrida em 2009 demonstrou a força da comunidade, Prefeitura, Igreja juntos. Dona Efigênia da Conceição Ferreira, 77, zeladora da igrejades de jovem, percebe novos olhares voltados para Lobo Leite. “Ultimamente noivas querem se casar aqui e turistas pedem pra gente abrir a igreja. A internet eu achei muito importante, mas precisamos oferecer uma estrutura para receber as pessoas. Agora precisamos ver o telhado da igreja”, afirma.

O diretor de Patrimônio Histórico da Prefeitura, Luciomar S. de Jesus, acredita que a redução da velocidade do trem, o que já ocorreu no passado, impede novos danos ao telhado. “Pequenos reparos feitos pela Paróquia ou algum parceiro evitariam outra restauração. E haver encontros, terços, catecismo, missas e facilitar visitação. Local claro e ventilado não é habitat de morcegos, por exemplo. Se cada um fizer a sua parte, o patrimônio será preservado”, comenta.

O distrito, então denominado Soledade, experimentou grande desenvolvimento após 1886, com a construída a Estação Ferroviária. As telhas vieram de Marselha (FRA). Ela funcionou por muito tempo transportando passageiros e mercadorias. Ali se formavam muitos casais.

Restaurada em 2013, a Estação abriga um Telecentro e um espaço multiuso, que é utilizado pelo grupo de artesanato Pata da Loba, formado por mulheres que complementam o orçamento familiar. Com o resgate da bainha aberta portuguesa em 2006 porDona Imaculada Drumond, elas produzem peças de cama, mesa e banho decoradas com os arabescos do casario local e utensílios feitos com conta-de-lágrima.

Artesanato

Associadas ao Pata da Loba, Elaine, Vivian, Joice, Cláudia e Maria Rosário afirmam que, através da divulgação do Conheça Minas, surgiram novos clientes. “Aqui comercializamos a produção de segunda a sexta, com apoio da Prefeitura. Depois da abertura do Museu, a circulação de visitantes cresceu aqui também. Então podemos nos revezar nos fins de semana”, observam.

Presidente da Associação Comunitária de Lobo Leite (ASCOLL), Renata Freitas concorda que haja um crescimento do turismo local. “Prefeitura, comunidade, iniciativa privada e igrejas juntas podemos potencializar esta atividade. Por meio da Gerdau, a ASCOLL oferece oficina de artesanato em ferro e madeira para artesãos e, assim, podemos ofertar mais produtos”, diz. Ela abrirá uma cervejaria artesanal à visitação e degustação.

Propriedades privadas que foram edificadas há cerca de dois séculos compõem o cenário da sede de Lobo Leite. Uma pertenceu ao pai, alferes, do Inconfidente e Cônego Luiz Vieira. Tiradentes teria participado de reuniões naquela residência. Posteriormente, ali funcionou de Casa Paroquial a cabaré. Atualmente a casa abriga a Choperia Na Boca do Lobo.

A proprietária Leda Nader Picininn conta que “Jorge (o marido) sempre quis morar aqui. Para ter o que fazer, montamos a choperia com duas kitnets, mas já estamos pensando em um hostel. Também fabrica chope artesanal. Divulgar Lobo Leite é necessário, porque é um belo destino turístico, seleiro de artistas:artesãos e músicos”, afirma Leda.

Do lado, fica o restaurante Tia Maria, funcionando há 37 anos, primeiro onde é hoje a choperia. Maria Oscar Martins Batista e o esposo Paulo vieram de Belo Horizonte. “Nossos clientes são, em sua maioria, da Gerdau Açominas e da CSN. A atração principal é a feijoada, na sexta-feira”, diz tia Maria, que passou a administração do restaurante para a filha.

“Nós, jovens, queremos ir embora, mas como lá fora estão dizendo que somos especiais, até citando o restaurante da minha avó, ficamos orgulhosos. Isso é uma surpresa que nos faz pensar em apostar em Lobo Leite. O site tem razão”, comemora a neta Tamara.

Lobo Leite

A família Lobo Leite possuiu dois casarões na localidade. Um deles foi erguido, em 1870, pelo responsável da expansão da rede ferroviária na região e construtor da Estação, Francisco Lobo Leite Pereira. O porão serviu de depósito de mercadorias do entreposto e teatro. Hoje lá mora Dona Maria Imaculada Lobato Drumond, 82, 16 deles no distrito.

“Lobo Leite merece essa atenção da mídia. O clima, a paisagem, a estação, a igreja, os casarões e o povo: tudo é especial. Aqui me isolei para pintar o som. Cada quadro é uma música: ‘Jesus Alegria dos Homens’, de Sebastian Bach, ‘Cavalgada das Valquírias’, de Wagner, e ‘Sonata ao Luar’, de Beethoven, por exemplo. A outro mestre dediquei um poema ‘Chuva de Beleza’, que termina assim: ‘... Arte é a chuva de beleza que o Aleijadinho fez chover’”.

Outro casarão pertenceu ao filho do engenheiro, o médico Álvaro Lobo Leite Pereira,que integrou a equipe do Instituto Osvaldo Cruz. A família detentora de títulos do império veio para o Brasil na época das sesmarias, fixando-se no então povoado no auge do Ciclo do Ouro. O terreno e as ruinas deste foram doados à Prefeitura, que estuda para o local uma destinação futura. Em Brasília, a família guarda, por séculos, documentos que contam parte da história do País. Uma outra parte foi doada ao Arquivo Nacional.

Educação Patrimonial

A Escola M. Amyntas Jacques de Moraes, de Lobo Leite, desenvolve um trabalho de Educação Patrimonial. “Os alunos produzem maquetes dos casarões do distrito, visitam a igreja, fazem o levantamento da culinária local, em que se destacam a broa de fubá, o cubu e a bala amêndoa artesanal, esta última produzida por Eva da Fonseca. Eles precisam aprender a valorizar nosso patrimônio material e imaterial”, afirma a diretora escolar, Fátima Lobo. 

A comunidade realiza as tradicionais festas juninas e, na segunda semana de julho, a Festa da Padroeira N. Sra. da Soledade.

O distrito de Lobo Leite se localiza na MG-030, entre as sedes dos municípios de Congonhas, que é acessado pela BR-040, e Ouro Branco.

Confira a publicação sobre Lobo Leite no Conheça Minas: http://www.conhecaminas.com/2017/01/8-distritos-mineiros-que-vao-fazer-voce.html

14, FEV de 2017